Sexta, 15 de Outubro de 2021 17:20
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Política Chapecó / SC

Bolsonaro participa de passeio de moto com apoiadores em SC

Sem máscara no percurso entre as cidades de Chapecó e Xanxerê, no Oeste catarinense, presidente gerou aglomeração de apoiadores. Um dia após depoimentos sobre contrato de compra da vacina Covaxin, presidente fez críticas à CPI da Covid.

26/06/2021 22h38
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Por: Redação Sou Catarinense Fonte: G1 SC
Bolsonaro passei de motocicleta em Chapecó (SC) — Foto: Sirli Freitas/NSC
Bolsonaro passei de motocicleta em Chapecó (SC) — Foto: Sirli Freitas/NSC

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou na manhã deste sábado (26) de um passeio de motos em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, em meio a apoiadores. Sem máscara durante o percurso, ele cumprimentou seus adeptos e gerou aglomeração.

O passeio começou por volta das 9h20, no Distrito Industrial Flávio Baldissera. Depois de percorrer as vias do município, os participantes chegaram por volta das 10h40 em Xanxerê, cidade na mesma região, para a inauguração de uma agência da Caixa Econômica Federal. Posteriormente, às 10h50, o grupo retornou a Chapecó e chegou ao local perto do meio-dia.

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), acompanhou o passeio na garupa da moto em que Bolsonaro conduzia. Os dois não usavam máscara de proteção à Covid-19. Em Santa Catarina, o item é obrigatório e passível de multa no valor de R$ 500 para quem não a usar em espaços fechados.

O passeio provocou o fechamento do trânsito na BR-282 e teve o policiamento dos comandos da 4ª Região de Chapecó, da 2ª Região de Lages, da 9ª Região de São Miguel do Oeste, e da 10ª Região de Joaçaba. Além disso, foram empenhadas guarnições do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT), Polícia Militar Rodoviária e cavalaria. O governo do Estado não informou os custos da operação.

Um homem de 46 anos foi detido com uma faca durante o passeio do presidente. Segundo a Polícia Civil, o fato não tem relação com a presença de Bolsonaro na cidade, já que o homem levado para a delegacia seria um andarilho conhecido na região e que confirmou que portava a faca para a segurança pessoal. Ele deve assinar um termo circunstanciado.

Ataque à CPI

Ao fim do passeio, Bolsonaro discursou e fez críticas à CPI da Covid. "Não adianta provocarem, inventarem, quererem nos caluniar, nos atacar 24 horas por dia porque não conseguirão. Só uma coisa me tira de Brasília: é o nosso Deus. Não vão ganhar no tapetão ou inventando narrativas", disse.

Em seguida, atacou a comissão que investiga possíveis omissões e irregularidade no combate à pandemia. "Temos uma CPI [da Covid] de 7 pilantras que não querem investigar quem recebeu dinheiro, apenas quem mandou o dinheiro. Lamentavelmente, o Supremo [Tribunal Federal, o STF] decidiu pela CPI e decidiu também que governadores estão desobrigados de comparecer à mesma. Querem apurar o que? No tapetão, não vão levar", afirmou.

Na sexta-feira (25), a Comissão ouviu o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o chefe de importação do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, prestaram depoimento e disseram ter informado o presidente de suposta irregularidade no contrato de compra da vacina Covaxin.

Luis Miranda ligou a "pressão atípica" que seu irmão teria recebido internamente no ministério à atuação do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados. Segundo Miranda, Bolsonaro teria citado nominalmente Barros quando o avisou sobre o contrato da Covaxin.

Bolsonaro teria se encontrado com os irmãos no dia 20 de março. Dois dias mais cedo, o presidente recebeu no Palácio do Planalto o deputado Ricardo Barros, que registrou a reunião com uma foto publicada na rede social Twitter.

Antes do passeio de moto em Santa Catarina, Bolsonaro participou de um evento similar no Rio de Janeiro em 23 de maio. O mesmo ocorreu em 12 de junho na cidade de São Paulo.

Pouco antes das 8h, motociclistas já chegavam ao ponto de encontro. Bolsonaro sobrevoou Chapecó antes da saída do Distrito Industrial. Em alguns trechos às margens da rodovia, moradores coloram faixas e bandeiras para acompanhar a passagem do presidente.

Depois do voo, Bolsonaro foi de caminhonete encontrar os motociclistas que o esperavam e chegou a cavalgar em um trecho. No caminho, apoiadores se aglomeravam ao redor do cavalo.

O passeio começou na SC-480, seguiu pela Avenida General Osório até chegar à Avenida Getúlio Vargas, que é a principal da cidade.

Depois seguiu em direção a BR-480, que faz a ligação com BR-282. O presidente chegou em Xanxerê às 10h40, onde inaugurou uma agência, que fica na Rua Victor Konder.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que o evento presidencial seguiu a legalidade. Quanto ao regramento do uso de máscara, a recomendação da pasta é para utilização em qualquer situação e as multas são dadas no descumprimento de uso em lugares fechados.

Protestos contra Bolsonaro

Em Florianópolis, Palhoça, Jaraguá do Sul e Itajaí ocorreram protestos contra o governo de Bolsonaro. Os atos foram organizados por representantes de centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais. Segundo a polícia, a manifestação foi pacífica. Em geral, os participantes dos protestos usavam máscaras.

Bolsonaro em Chapecó

O presidente está em Chapecó desde a tarde desta sexta-feira (25) para visitar as obras de melhorias da Arena Condá, além de instalações em uma cooperativa de alimentos. Sem máscara, Bolsonaro cumprimentou apoiadores na entrada do local e gerou aglomeração. Moradores com cartazes contrários ao presidente também estiveram no local.

Essa é a oitava vinda do presidente a Santa Catarina e a segunda em Chapecó. Em 7 de abril, o presidente esteve no Centro Avançado de Atendimento à Covid – hospital de campanha montado no Centro de Eventos.

No dia, após o Brasil registrar 4,2 mil mortes em um único dia por conta do vírus, ele criticou a adoção de medidas para restringir a circulação de pessoas e afirmou que não haveria lockdown.

Covid em Chapecó e SC

Chapecó fica em uma das 15 regiões de saúde de Santa Catarina em situação gravíssima por causa da Covid. Na cidade, 35,3 mil pessoas foram diagnosticadas com o vírus e 649 morreram por conta da doença desde março de 2020, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Em Santa Catarina, 1.041.664 pessoas pegaram o vírus, sendo que 16.628 morreram após complicações.

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